segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA

A Sociologia constituiu-se muito recentemente como um campo específico de
estudos. Foi durante o século XIX que a preocupação de determinados pensadores
e investigadores sociais deu origem à ciência da sociedade, Isto é, a um novo campo
do saber voltado para a compreensão da vida do ser humano em grupo e para as
regras e fundamentos das sociedades.


A estruturação da Sociologia como ciência da sociedade somente aconteceu com o
desenvolvimento da razão, da ciência e da sociedade industrial. Era necessário,
naquele momento, desenvolver um conjunto de explicações racionais e científicas,
fruto da investigação empírica metódica, que conseguisse definir, analisar e, talvez,
prever e controlar os novos fenômenos sociais que apontavam para uma nova
sociedade – a sociedade industrial estruturada em classes sociais. Era necessário,
também, para melhor entender a complexidade da vida moderna, marcar as
fronteiras entre conhecimento sociológico e senso comum, isto é, estabelecer os
limites entre a ciência social emergente e outros tipos de conhecimento baseados
em opiniões, na tradição e no costume, nos preceitos religiosos etc.

Durkheim, Weber e Marx, os assim chamados clássicos da Sociologia,
preocuparam-se o tempo todo com a elaboração de métodos e técnicas de pesquisa
social, que lhes permitissem entender e explicar a realidade social. Ao mesmo
tempo, procuraram estabelecer alguns dos conceitos básicos do conhecimento
sociológico de sua época, tais como os conceitos de fato social, de ação social e de
classe social.

As grandes transformações sociais–políticas–culturais ocorridas no século XX,
frutos do desenvolvimento econômico acelerado, exigiram dos cientistas sociais a
formulação de novas teorias, novos conceitos e novas categorias de análise, na
tentativa de explicar a complexidade, as riquezas e as misérias da vida em
sociedade.

A sociologia contemporânea está, atualmente, muito empenhada em oferecer,
tanto ao estudioso, quanto ao estudante, a melhor compreensão possível das
estruturas sociais, do papel do indivíduo na sociedade e da dinâmica social, isto
é, das possibilidades reais de transformação social, na procura de uma sociedade
mais justa e solidária.

Dessa forma, um dos conceitos estruturadores da Sociologia atual é o de
cidadania. Para a elaboração desse conceito é fundamental uma pesquisa que
considere as relações entre indivíduo e sociedade; as instituições sociais e o
processo de socialização; a definição de sistemas sociais; a importância da
participação política de indivíduos e grupos; os sistemas de poder e os regimes
políticos; as formas do Estado; a democracia; os direitos dos cidadãos; os
movimentos sociais, entre outros princípios.


A participação política do cidadão e dos grupos acontece no interior de
sociedades organizadas. Um dos elementos estruturantes do social é o
econômico. Portanto, outro conceito fundamental do conhecimento sociológico
é o de trabalho.

Os fundamentos econômicos da sociedade; os modos de produção; a produção
e o consumo; a mercadoria; o capital; a exploração e o lucro; as desigualdades
sociais; a estratificação social; as classes sociais; o desenvolvimento e a pobreza;
a tecnologia; o emprego e o desemprego; os países ricos e os países pobres; a
globalização etc., constituem alguns dos conceitos associados ao trabalho. É
perfeitamente possível a montagem de um curso anual de Sociologia tendo o
trabalho como conceito gerador das atividades pedagógicas.

Os produtos do trabalho humano geram outro conceito fundamental da
Sociologia: o de cultura. O conceito de cultura lembra identidade cultural;
diversidades culturais; ideologia e alienação; indústria cultural e meios de
comunicação de massa; cultura popular e cultura erudita; tradição e renovação
cultural; contracultura; cultura e educação etc. O conceito de cultura permite
uma série de atividades escolares voltadas para a análise do cotidiano. O aluno
pode trazer, da comunidade para dentro da Escola, diversas manifestações
culturais com as quais se identifica. O uso de recursos audiovisuais também é
facilitado, porque a televisão e o cinema deverão ser, sem dúvida, objetos de

análise e de debates em sala de aula.



REFERÊNCIA: Orientações Educacionais Complementares aos P a r â m e t r o s C u r r i c u l a r e s N a c i o n a i s. Os conceitos estruturadores da Sociologia, p. 87-88.



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Vampiros: um mito em constante reinvenção

Retirei o artigo a seguir do site do Café História. Vale a pena conferir. Trata-se de uma abordagem sobre o mito do vampiro, hoje retratado no cinema com bastante intensidade. Após ler o seguinte artigo, adquira e leia o livro clássico de Bram Stocker intitulado "Drácula". Sem dúvida é uma leitura clássica que deve estar presente em nossa biblioteca.


Contemporâneos ou Antigos. Asquerosos ou charmosos. Sociáveis ou seres Isolados na penumbra. Os vampiros, das lendas antigas ao cinema do século XXI, sempre despertaram enorme curiosidade entre os homens. Em artigo exclusivo para o Café História, a historiadora Maytê Vieira, que estudou o tema em seu mestrado em História pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), oferece um olhar histórico extremamente interessante e revelador a respeito desta figura tão presente em nossa cultura. Então, prepare o crucifixo, cubra-se de alho, espirre água benta no computador e faça uma boa leitura!
Por Maytê Vieira
Personagem frequente da literatura, do cinema e também da televisão, o vampiro tem se mostrado em inúmeras formas e com diversas faces, demonstrando sua capacidade de adaptação e reinvenção através dos anos. Porém, o mito das criaturas sugadoras de sangue se perde na aurora dos tempos. Desde sempre, os mais diversos países e culturas contam com a presença destes seres. Da antiga Babilônia às lendas judaicas, da Roma à Grécia antigas, do Egito à China existem histórias sobre vampiros que aterrorizam e espalham a morte por onde passam.
Porém, o vampiro contemporâneo, aquele que mais conhecemos, é bem diferente daqueles propagados pelas lendas. Ele surgiu através da literatura baseado nos relatos do padre beneditino francês Augustin Calmet, enviado no século XVIII, em plena era da Luzes para investigar, a mando da Igreja, um surto de vampirismo no leste europeu. A intenção de Calmet era desmistificar o suposto surto e demonstrar que tudo não passava de histeria coletiva. O que aconteceu foi que, ao final de sua investigação, ele não chegou à uma conclusão precisa. Calmet fez uma compilação de casos e descreveu em detalhes o que testemunhou no Traité sur les apparitions des esprits, et sur les vampires, ou les revenans de Hongrie, de Moravie (1), publicado em 1746, tendo uma nova edição revista e ampliada em 1751 que foi traduzida para o inglês, o que mostra o alcance de seu tratado. Seu interesse foi despertado em 1732 quando a revista Le Glaneur Hollandais (2) publicou em detalhes um caso que deu início à discussão sobre a existência ou não dos vampiros. A história do suposto vampiro Arnold Paul teve repercussão imediata em toda a Europa. A investigação do caso, autorizada pela monarquia austríaca, resultou no relatório Visum e repertum (3), que informava sobre a abertura dos túmulos, exumação dos corpos e condições em que foram encontrados. O caso, discutido entre os eruditos e filósofos iluministas, ganhou visibilidade. Obviamente que suas discussões tinham a intenção tanto de desacreditar os casos quanto Calmet. Com o tempo, o assunto foi esquecido e o tratado se tornou relíquia intelectual. Porém, a enorme compilação de casos acabou por promover a crença e colocar de vez o vampiro no mundo moderno.
A redescoberta desta compilação foi feita pela literatura do século XVIII, que se apropriou dos casos e transformou o vampiro. Os vampiros originários dos relatos recolhidos por Calmet não seriam convidados por ninguém para o convívio em sociedade. Eram seres repugnantes, cadáveres reanimados, inchados, vermelhos, com unhas sujas e compridas, cheirando mal e, em alguns casos, com o corpo em princípios de decomposição. Eram mortos vivos e não tinham nada de atraente ou sedutor. Coube à literatura, com maior influência no século XIX, modificar isto (4).
Somente em fins do século XVIII e início do XIX é que no encontro do modelo milenar com a estética da época – a dos contos de terror, da gothic novel que nos deu os grandes clássicos como DráculaO médico e o monstro eFrankenstein, além das telas de Goya e os contos e poemas de Goethe – o vampiro ganhou o status literário (5).
No ano de 1819 foi publicado The Vampyre, um conto escrito por John Polidori. O conto deu origem a Lord Ruthven, um aristocrata viajante “de olhos cinzentos e frios e tez lívida, que parece querer provocar angústia nas criaturas mais frívolas”. Atraia mulheres inocentes para se alimentar de seu sangue, tem força sobre humana e à luz da lua pode curar-se. Este é considerado por muitos como a base da ficção moderna sobre os vampiros. Polidori reuniu alguns elementos que seriam utilizados mais tarde, num texto literário coeso, transformando o monstro dos relatos folclóricos num aristocrata sedutor e perverso, um ser que podia conviver em sociedade e escolher suas vítimas nos mais diversos países por onde viajava. “[...] estabeleceu de uma vez por todas o protótipo para o vampiro da literatura, do teatro e posteriormente do cinema.” Alguns anos depois de 1845 a 1847, Varney, the Vampire, do inglês James Malcolm Rymer,, publicado em folhetins na Inglaterra, contribuiu “com a característica mais contundente ao vampiro: seus longos e afiados caninos que perfuravam o pescoço das vítimas para obtenção do sangue.” (6) Outro enriquecimento essencial foi dado por um autor anônimo que escreveu o conto O estranho misterioso, em 1860. Nele, o vampiro dormia durante o dia em um caixão numa cripta da capela de seu velho castelo em ruínas, não comia e não bebia com os humanos, havia sido uma pessoa má e cruel em vida e dominava os lobos ferozes.
Mesmo tendo sido produzidos uma série de histórias e contos de horror no século XVIII, poucos foram sobre vampiros, numa comparação com as outras temáticas sobrenaturais e, menos ainda, em comparação com a produção literária atual. A mudança viria em 1897 quando o vampiro finalmente se tornaria imortal pela pena do escritor Bram Stoker. Conhecendo as características dos vampiros anteriores, ele juntou todos os ingredientes em seu vampiro, que ser tornou o padrão para todos os posteriores.
Para completar, Stoker acrescentou mais algumas numa mistura de conhecimento das lendas antigas e invenção. Ele criou um ser diabólico, podendo assim ser derrotado pelos símbolos católicos; é a partir dele que o vampiro passa a temer o crucifixo. Também são criações de Stoker: a sensualidade no relacionamento entre o vampiro e sua vitima, o elo profundo que se forma com a vítima que bebe o sangue do vampiro; a necessidade descansar num caixão com sua terra nativa; de convite para entrar nos locais privados (residências); a habilidade da transformação em morcego e pequenos animais, em névoa, o controle das tempestades e não ser refletido em espelhos (7).
Entretanto, a mais marcante inclusão de Stoker foi ligar o personagem mítico a um personagem histórico real que ele descobriu em suas pesquisas sobre o folclore e a história, mais especificamente da Transilvânia, o príncipe Drácula. Conhecido por Vlad Berasab, Vlad Draculea ou Vlad Tepes, ele governou a Valáquia, distrito da Romênia, durante o século XV. Bram Stoker usou sua história pra inspirar seu personagem. Seu pai, também Vlad, foi nomeado cavaleiro da Ordem do Dragão, pelo imperador Sigismundo, daí vem o nome Dracul (dragão em romeno) (8). Seu filho, Vlad Tepes, ficou conhecido por Draculea (filho do dragão). O apelido Tepes, veio mais tarde, fruto de sua forma preferida de tortura: a empalação, que mantinha suas vítimas em uma lenta agonia por horas até a morte. Ficando assim conhecido como Vlad Tepes ou Vlad, o Empalador. Era sanguinário, mas obviamente, não era um vampiro. (Acima, imagem do manuscrito de Vlad Tepes)
A fama de Drácula atravessou a Europa 400 anos antes do livro de Stoker, através dos manuscritos alemães, eslavos e turcos, e sua imagem de sanguinário e cruel foi difundida por toda a Europa pelos alemães, principalmente os ressentidos pela política nacionalista de Vlad, que os reprimia e matava por serem comerciantes estrangeiros, enquanto ele buscava fortalecer a economia regional dos próprios romenos. Como vingança pintaram-no como o próprio demônio por toda a Europa. Estes manuscritos disseminaram sua fama de governante cruel e diziam que Drácula, para comer o pão, molhava-o no sangue de suas vítimas. Tendo conhecimento destes documentos, Stoker criou o estereótipo do vampiro: o conde Drácula. A partir dele centenas de romances, contos e histórias em quadrinhos foram criados.
A literatura moldou e transformou o monstro até o século XIX. A partir do século XX o cinema assumiu o processo de criação do vampiro e a consolidação de sua imagem, transformando-o sempre e cada vez mais. Entre muitos, um exemplo é a mudança na imagem do vampiro em Nosferatu (1922) e Drácula de Bram Stoker (1992), respectivamente as visões dos diretores Murnau e Coppola. Os filmes, feitos com 80 anos de diferença trazem as marcas de seus períodos e a possibilidade da análise como representação dos medos ou anseios de suas sociedades. Atualmente, na literatura, no cinema e, principalmente na televisão, o vampiro é representado cada vez mais jovem, sedutor e humanizado. Consequencia do sucesso de Anne Rice e suas Crônicas Vampirescas que, com Entrevista com o vampiro, publicado em 1976, trouxe a narrativa com o vampiro como protagonista buscando a razão para sua existência e compreensão de sua natureza. Para ele, Louis, ser vampiro é um fardo.
A definição do vampiro em Bram Stoker e a mudança de sua imagem e personalidade feita por Anne Rice nos trouxeram aos vampiros atuais de J. L. Smith (Diários do vampiro(9), Charlaine Harris (Southern Vampire Mysteries(10) e, finalmente, a saga Crepúsculo escrita por Stephanie Meyer e adaptada para o cinema causando controvérsias e atingindo grandes vendas e bilheteria. Isto para comentar apenas os mais conhecidos e famosos.
O tema em si é inesgotável, poderíamos escrever centenas de páginas para esclarecer cada ponto, mas devido ao espaço resumimos a discussão. A grande questão é a permanência destes seres em nosso imaginário e sua capacidade de se moldar a cada período, encaixando-se dentro de cada época. O vampiro é imortal por sua persistência em sobreviver em nossos sonhos e medos.
Notas:
(1) Tratado sobre a aparição de espíritos e sobre os vampiros ou os revividos da Hungria, da Morávia, etc.
(2) Le Glaneur Hollandais – Revista franco holandesa que circulava na corte de Versalhes (França). O caso Arnold Paul foi publicado na edição número 3 de março de 1732.
(3) Uma cópia do relatório pode ser encontrada no livro de História dos vampiros: autópsia do mito de Jean-Claude Lecouteax. 
(4) ARGEL, M. e MOURA NETO, H. (org.). O vampiro antes de Drácula. São Paulo: Aleph, 2008. 
(5) COSTA, Flávio Moreira da. (Org.) 13 melhores contos de vampiros. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.
(6) BRITES, Claudio. (Org.) O livro negro dos vampiros. São Paulo: Andross, 2007.
(7)  MELTON, G. J. O livro dos vampiros. São Paulo: M. Books do Brasil, 2003. 
(8) Dracul também pode ser traduzido como demônio, o que aumentou o interesse de Stoker.
(9) Adaptado para televisão como série pela CW (EUA)
(10) Conhecido também como a série Sookie Stackhouse, adaptado para televisão como True Blood pela HBO (EUA)
Sobre a autora: Licenciada em História pela FAFIUV (UNESPAR) e Mestre em História pela UDESC. Minhas áreas de interesse vão do imaginário ao cinema com ênfase no vampiro. Tento ler e assistir tudo que é produzido sobre vampiros para entender a permanência destes seres míticos e sua evolução. Para conhecer mais sobre minhas pesquisas, acesse meu blogwww.mitoseimaginario.com.br

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

OS DOIS PRIMEIROS SOCIÓLOGOS

Com muito orgulho, registro aqui que ontem dia 23 de janeiro tive o prazer inesquecível de me formar em Sociologia pela Unochapecó. Foi colação de grau de gabinete. Tive a grata companhia de meu colega Edinei Grison. Aliás, é mister citar aqui que nos tornamos os dois primeiros sociólogos formados em toda a história de Santa Catarina, fora da UFSC. Isso quer dizer que o nosso curso de Sociologia é o primeiro a formar pessoas em toda a história do Oeste Catarinense. Foi um dia muito especial, indescritível e fico muito feliz por isso. Espero que muitas pessoas sigam esse caminho, buscando nas ciências humanas, elementos para transformar o mundo. Meu pai, o senhor J. Vieira, foi honrosamente convidado a entregar o diploma de Sociologia.




terça-feira, 21 de janeiro de 2014



As relações de poder no mundo definem a geopolítica. As causas da violência e fome na África, por exemplo, se devem à dominação de um povo sobre o outro. Quando as diferenças culturais não são respeitadas, o conflito se estabelece. A imposição de culturas sobre as demais, torna o mundo menos humano.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O SISTEMA INDIVIDUALIZA E COLOCA A CULPA NO INDIVÍDUO PELO SEU FRACASSO

O pensador brasileiro Paulo Freire já dizia que quando o indivíduo pobre e excluído compreender que a culpa pela sua situação está fora dele, ou seja, no sistema, terá andado meio caminho para sair de sua situação.


sábado, 11 de janeiro de 2014

Livros de Férias

Regozijai aqueles que tiverem a oportunidade de ter acesso aos dois livros que estou lendo nestas maravilhosas férias. Estou falando das seguintes obras: "Os estabelecidos e os outsiders" do sociólogo alemão Nortbert Elias e de "Bandidos" do historiador inglês Eric Hobsbawm. Vale lembrar que as duas obras vão servir para o meu projeto de doutorado. As categorias utilizados pelos dois intelectuais: "bandido social" no caso do Hobsbawm e do "estigma" no caso de Elias trazem uma atração prazerosa de leitura, ao mesmo tempo que são grandes referências para quem se aventura na investigação dessas questões sociais. Férias maravilhosas e inesquecíveis, pois permite uma reflexão de quem sou e de quem fui.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Romanos usavam redes sociais há dois mil anos, diz livro

"O historiador Robert Darnton já afirmava numa de suas exposições num evento realizado no Rio Grande do Sul que a Wikipédia não é hoje o que a Enciclopédia foi para o século XVIII? Baseado nessa ideia é que fiz o recorte da notícia à seguir que mostra que as redes sociais não são um fenômeno dos dias atuais. Analisando dessa forma é possível pensar que a difusão desse comportamento e o uso dessas tecnologias fazem parte, sem dúvida de uma construção social".




07/11/2013 13h05 - Atualizado em 07/11/2013 13h39

 

Para Tom Standage, Facebook e Twitter são reencarnações de ferramentas antigas de comunicação e interação.

Da BBC

'Tablet de cera' usado na Roma Antiga (Foto: Museu Romano-Germânico de Colônia)'Tablet de cera' usado na Roma Antiga (Foto: Museu Romano-Germânico de Colônia)
Ao tuitar ou comentar embaixo do post de um de seus vários amigos no Facebook, você provavelmente se sente privilegiado por viver em um tempo na História em que é possível alcançar de forma imediata uma vasta rede de contatos por meio de um simples clique no botão 'enviar'.
Você talvez também reflita sobre como as gerações passadas puderam viver sem mídias sociais, desprovidas da capacidade de verem e serem vistas, de receber, gerar e interagir com uma imensa carga de informações.
Mas o que você talvez não sabia, é que os seres humanos usam ferramentas de interação social há mais de dois mil anos. É o que afirma Tom Standage, autor do livro "Writing on the Wall - Social Media, The first 2.000 Years" (Escrevendo no Mural - Mídias Sociais, Os primeiros 2 mil anos, em tradução livre).
Na obra, Standage, que é editor de conteúdo do site da revista britânica The Economist, afirma que redes sociais como o Facebook, Twitter e Tumblr podem ser as últimas encarnações de uma prática que começou por volta do ano 51 a.C, na Roma Antiga.
Segundo Standage, Marco Túlio Cícero, filósofo e político romano, teria sido, junto com outros membros da elite romana, precursor do uso de redes sociais.
O autor relata como Cícero usava um escravo, que posteriormente tornou-se seu escriba, para redigir mensagens em rolos de papiro que eram enviados a uma espécie de rede de contatos.
Estas pessoas, por sua vez, copiavam seu texto, acrescentavam seus próprios comentários e repassavam adiante.
'Hoje temos computadores e banda larga, mas os romanos tinham escravos e escribas que transmitiam suas mensagens', disse Standage à BBC Brasil.
'Membros da elite romana escreviam entre si constantemente, comentando sobre as últimas movimentações políticas e expressando opiniões'.
iPad romano
Além do papiro, outra plataforma comumente utilizada pelos romanos era uma tábua de cera do tamanho e da forma de um tablet moderno, em que escreviam recados, perguntas ou transmitiam os principais pontos da acta diurna, um 'jornal' exposto diariamente no Fórum de Roma contendo um resumo de debates políticos, anúncios de feriados, de nascimentos e de óbitos, e outras informações oficiais.
Essa tábua, o 'iPad da Roma Antiga', era levado por um mensageiro até o destinatário, que respondia embaixo da mensagem.
'Esse sistema é provavelmente o antepassado mais antigo do torpedo de celular', compara o autor.
Outra curiosidade relatada no livro é que o hábito de abreviar palavras e expressões, amplamente usado nos dias de hoje, também era comum entre os romanos.
Entre as expressões mais correntes estavam 'SPD', que significa 'Envia muitos cumprimentos' e S.V.B.E.E.V: 'Se você está bem, que bom. Eu estou bem'.
'Escrevendo no Mural' descreve a evolução das mídias sociais ao longo da História e mostram o grande impacto da criação do papel e da invenção do processo de impressão sobre a comunicação social.
'Na corte de Ana Bolena (uma das mulheres do rei da Inglaterra Henrique VIII), o manuscrito de Devonshire era um Facebook do século XVI, permitindo aos cortesãos se comunicarem por meio de poesias e fofocas nas páginas que circulavam pelos corredores do palácio', diz o autor.
Standage conta como os panfletos do teólogo alemão Martinho Lutero, que desencadearam a Reforma Protestante no século XVI, foram disseminados rapidamente pela Europa depois que as pessoas começaram a replicá-los e, depois, imprimi-los.
'Ele não esperava que isso fosse acontecer, que as pessoas fossem disseminar sua mensagem de que a Igreja precisava ser reformada. Foi uma disseminação social e viral', diz o autor.
Anomalia histórica
Para o Standage, o advento e a popularização da comunicação de massa no século XIX - com jornais e livros - e no século XX - cinema, rádio e TV - ofuscaram os modelos sociais de distribuição de informação que haviam prevalecido durante séculos.
'As pessoas passaram a obter informações das mídias de massa e não mais de seus amigos, em um processo de mão única, sem interação', diz o autor.
Na última década, a internet abriu caminho para o renascimento das plataformas sociais de comunicação que, para o autor, se tornaram tão eficientes que passaram a competir com as mídias de massa.
'Agora o grande desafio das grandes organizações de mídia é gerar conteúdo de mão dupla, porque já sabem que o de mão única foi uma anomalia histórica que não funciona mais'.
Para Standage, sua obra reflete que o ser humano, independentemente da época em que vive, nutre o desejo profundo de se conectar e compartilhar ideias e impressões com outras pessoas.
'Este desejo é construído nos nossos cérebros. A tecnologia vai e vem, mas a natureza humana continua a mesma'.