sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um novo ano se começa para a educação. Efetivar como professor é o fato até agora mais importante da minha vida. Isso me realiza. Não sei como explicar. Após conhecer novas escolas novas pessoas, sinto-me feliz em compartilhar pensamento de melhores dias para a educação.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Arqueologia: ciência que estuda as sociedades a partir de vestígios produzidos por elas.


Local onde o porto estaria. (Foto: CNRS/ Divulgação)Arqueólogos franceses e italianos descobriram os restos de um porto de grãos que desempenhou um papel crítico na ascensão da Roma antiga, informou nesta quinta-feira o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS).
Perfurações realizadas em um local na embocadura do rio Tiber revelaram a localização de um porto, cuja existência foi buscada por séculos, destacou a instituição em um comunicado de imprensa.
O porto fica a noroeste de Ostia, que foi estabelecido por Roma como uma passagem fortificada para capacitar o comércio a passar rio acima em direção à cidade, evitando piratas e saqueadores.
A evidência indica para um porto estabelecido entre os séculos IV e II a.C. e tinha uma profundidade de seis metros, tornando-o acessível para embarcações a caminho do mar, destacou o CNRS.
Roma emergiu como a primeira potência do Mediterrâneo graças em parte ao comércio. O império importava grandes quantidades de trigo, especialmente do Egito.
No século I d.C., o porto de grãos em Ostia foi substituído por uma instalação gigantesca de 200 hectares em Portus.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Historiadores se dividem sobre lei que regula a profissão


Senado aprovou projeto que obriga diploma em história para atuar na área. Texto, que inclui áreas como magistério, pesquisa e organização de documentos, deve ser votado na Câmara
Aprovado no Senado na semana passada, um projeto de lei que regulamenta a profissão de historiador levanta dúvidas sobre seu alcance e divide os principais interessados na medida.
De acordo com o texto, que ainda precisa ser votado na Câmara dos Deputados, apenas quem tem diploma de graduação, mestrado ou doutorado pode exercer a profissão, em atividades como o magistério, a pesquisa e a organização de documentos e informações históricas.
A maior parte dos historiadores ouvidos pela Folha classifica o projeto de corporativista. Outros, mesmo quando se declaram contrários ao "monopólio do saber", defendem a obrigatoriedade da formação ao menos para os professores de história.
"Isso é um corporativismo inadmissível. Reserva de mercado é algo absurdo. Posso listar grandes historiadores brasileiros que não são formados em história", diz o cientista político e historiador José Murilo de Carvalho, ele mesmo sem graduação na área, mas com pós-doutorado em história.
"Se for para lecionar, faz sentido, porque precisa ter formação na área", diz Carlos Guilherme Mota, professor emérito da USP, que defende a obrigatoriedade do diploma para professores do ensino fundamental e médio.
"Para dar aula em universidade eu deixaria em aberto, porque há antropólogos e sociólogos com formação histórica sólida", completa.
O autor do projeto, senador Paulo Paim (PT-RS), afirma que mesmo em faculdades as aulas de história devem ser ministradas por um diplomado. "Naturalmente, não vou querer que arquiteto forme médico, por exemplo. Por que ia ser diferente no caso de historiador?"
Para Paim, o projeto não impede que especialistas de outras áreas, como advogados, jornalistas e médicos, deem palestras e escrevam livros sobre história.
Uma das principais críticas é justamente a possibilidade da medida tornar a produção desse tipo de conteúdo exclusividade dos historiadores.
"Seria uma limitação à liberdade de expressão", diz Evaldo Cabral de Mello, historiador que não é formado na área, mas tem título de notório saber concedido pela USP. Para Boris Fausto, livre-docente em história do Brasil pela mesma universidade, "há especialistas em áreas técnicas, como arquivo e documentação, com maior capacidade do que o historiador para essas funções".
Fonte: Folha Online 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

.Eric Hobsbawm: vida e obra de um historiador singular

Conheça mais sobre a trabalho e a trajetória de um dos mais importantes historiadores britânicos do século XX.

Um giro pelo noticiário nacional e internacional neste dois de outubro de 2012 evidencia o enorme reconhecimento que Eric Hobsbawm conquistou ao longo de quase oito décadas dedicadas ao estudo da história. A morte do historiador britânico, ocorrida ontem, na Inglaterra, aos 95 anos, foi capa dos principais jornais do mundo. Hobsbawm, que estava internado no Royal Free Hospital, em Londres, morreu em decorrência de uma pneumonia, deixando esposa, três filhos, sete netos, um bisneto e milhões de admiradores pelo mundo, muitos dos quais brasileiros. Em sua homenagem, o Café História preparou o presente texto, no qual lembramos sua trajetória, suas várias identidades e a recepção de sua obra, citada em um número incalculável de trabalhos que abordam a história mundial do século XIX e XX.


Hobsbawm: o historiador

Eric Hobsbawm esteve certamente entre os historiadores britânicos mais importantes e influentes do século XX. Como docente, foi um profissional dedicado e fiel. Atuou praticamente toda a vida na mesma instituição de ensino, o Birkbeck College, em Londres, onde foi admitido em 1947. Em termos historiográficos, esteve ao lado de nomes como E.P. Thompson, Raymond Williams e Christopher Hill, uma bem sucedida geração de historiadores de esquerda que rompeu com uma leitura ortodoxa do marxismo, excessivamente economista, determinista e desprovida de conexão com a prática política. Hobsbawm não fez parte diretamente, mas também acompanhou a reestruturação dos historiadores de esquerda em torno da revista “New Left”, na década de 1950, importantíssima no contexto político e intelectual do pós-guerra. Em seus textos, mostrou sempre uma incrível erudição. O historiador Christopher Hill disse certa vez, brincando, que nada se podia ensinar ao colega Eric Hobsbawm. “Ele já sabia de tudo”.

No Brasil, “A Era dos Extremos – O Breve Século XX: 1914 -1991” foi notadamente o seu livro mais conhecido. Editado pela Companhia das Letras, o título vendeu incríveis 227 mil exemplares, tornando-se um verdadeiro best-seller na área. Mas as suas principais contribuições à historiografia estão mesmo em obras anteriores, tais como “A Invenção das Tradições” e “Nações e Nacionalismos desde 1870”, nas quais analisa a complexa estruturação dos Estados nacionalistas do século XIX, e “História Social do Jazz” e “Mundos do Trabalho: Novos Estudos Sobre a História Operária”, onde o autor explora a trajetória do mundo do trabalho a partir não só da ótica econômica, mas também do social. É dele também a série composta pelos livros "A Era das Revoluções", "A Era do Capital" e "A Era dos Impérios", que fazem companhia ao já mencionado "A Era dos Extremos". Seu último livro, "Como mudar o mundo", uma coleção de ensaios, foi publicado em 2011 no país pela Companhia das Letras.

Uma característica presente em quase todas as obras de Hobsbawm é a acessibilidade da narrativa. Além de bom pesquisador, o historiador tinha uma boa escrita, sabendo alcançar o grande público sem abrir mão da profundidade de suas análises históricas. Afonso Carlos Marques dos Santos, antigo professor de Teoria de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, falecido em 2004, fez certa vez uma síntese bastante original da história feita por Hobsbawm, destacando uma outra característica do historiador inglês - a coragem para desafiar paradigmas do marxismo:

- “É evidente que Hobsbawm orientou a sua construção historiográfica a partir de uma ambição totalizante, muito cara ao marxismo, mas soube fazê-lo com sensibilidade, ampla cultura geral e abertura para novas formulações oriundas de outras tendências historiográficas. Abertura que deve ter desagradado àqueles que, do lado de cá do Atlântico Sul, vivem incomodados com o que chamam “modismos pós-modernos” ou “desvios irracionalistas” das temáticas clássicas da ortodoxia marxista. Na introdução de A Era dos Impérios Hobsbawm usou como epígrafe uma passagem de Pierre Nora em Les Lieux de Mémoire, onde a história aparece como “a sempre incompleta e problemática construção do que já não existe”. Nesta citação, Nora, ao demarcar as distinções entre memória e história também afirma: “A memória sempre pertence a nossa época e está intimamente ligada ao presente eterno; a história é uma representação do passado”. Hobsbawm , ao problematizar o período 1875-1914, começa pela própria história da sua família valendo-se da memória para motivar a penetração num tempo que se fecha na altura do seu próprio nascimento. Recorre, portanto, a uma dimensão biográfica e individualizada da existência humana para falar de um tempo socialmente repartido. E é curioso que tenha lançado mão de Pierre Nora, uma personalidade central no campo da editoração de obras históricas na França. A heterodoxia de Hobsbawm certamente não deve ter agradado àqueles que, mesmo sem muita familiaridade com a produção historiográfica internacional, apontam de forma condenatória para o que seria a “nossa francofilia” no campo dos estudos históricos”. (leia essa análise, na íntegra, clicando aqui).

Hobsbawm: o intelectual

Além de historiador, Hobsbawm tinha ainda uma faceta bastante rara atualmente entre profissionais da área: era um intelectual público ativo. Na Inglaterra e no exterior, Hobsbawm sempre foi figura fácil em artigos, ensaios e entrevistas, falando de algum acontecimento do momento. Nos atentados de 11 de setembro, por exemplo, foi um duro critico das explicações de “choque de culturas”. Para Hobsbawm, o terrorismo deveria ser entendido a partir de uma relação de dominação e exclusão promovida pelo Ocidente ao longo dois últimos dois séculos. Foi ainda neste âmbito conselheiro de figuras importantes da política mundial, com Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, e participou com frequência de eventos públicos em todo o mundo. Esteve pela última vez no Brasil em 2003, quando foi uma das principais atrações da Festa Literária de Paraty (FLIP).

A presença costumeira no espaço público talvez se explique pela própria experiência de vida do historiador. Nascido em Alexandria, Egito, no ano de 1917, Hobsbawm foi testemunha daquilo que ele chamou do “breve século XX”, um século bastante acelerado pela enormidade de acontecimentos impactantes em termos políticos e culturais. Filho de pai britânico e mãe austríaca, viveu muitos cenários e situações deste período de bem perto. Cresceu em Viena e, após a morte dos pais, judeus, mudou-se para Berlim. Após testemunhar a ascensão do nazismo de Hitler, mudou-se com o tio e a irmã para Londres. Acompanhou, então, a Segunda Guerra Mundial, a crise europeia, a Guerra Fria e toda uma gama de eventos históricos que transformaram o planeta.

Hobsbawm - como todo grande pensador - também acumulou críticas ao longo da vida. A maior delas se refere a sua fidelidade ao Partido Comunista (PC), inabalável mesmo durante a Invasão Soviética à Hungria, em 1956. Permaneceu membro do PC até a sua desintegração, em 1989. Outra crítica também comum a Hobsbawm se refere a sua relação com o stalinismo. Para o professor de história da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Ricardo da Costa, Hobsbawm omitiu em suas obras muitas informações sobre os horrores cometido em nome do marxismo-leninismo soviético. (leia esta crítica, na íntegra, aqui).

Hobsbawm para os historiadores brasileiros

Procurando entender um pouco mais da relevância de Eric Hobsbawm no Brasil – um dos países onde era mais lido, além da Itália – o Café História conversou com algumas pessoas que vivem o cotidiano acadêmico no país. Nossa ideia era identificar como Hobsbawm se tornou a referência entre historiadores brasileiros que é hoje, mesmo quando objeto de críticas.

Monica Grin, professora de história contemporânea do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IH-UFRJ) desde 1997, explicou ao Café que a narrativa de Hobsbawm tem o mérito de não só ter popularizado e historicizado o marxismo para legiões de estudantes, como também se tornou indissociável da própria história contemporânea. Grin sublinhou ainda que durante muito tempo Hobsbawm “frequentou” os seus programas de curso na UFRJ, sendo lido com grande prazer pelos alunos:

- Adotei em diversas conjunturas os livros de Hobsbawm. Usei “História do Marxismo - 12 volumes” , “A Era das Revoluções – 1789-1848”, A Era do Capital - 1848-1875” e “A Era dos Impérios - 1875-1914” quando se tratava de aulas para a graduação sobre a emergência do marxismo no século XIX, sobre os desdobramentos sociais da chamada Revolução Industrial e sobre os Impérios e Imperialismos. Não raro, comparava Hobsbawm com Thompson e Polanyi para compreender a história social de um perspectiva marxista, conforme a historiografia inglesa marxista; com Hannah Arendt para discutir imperialismo. Em outras situações, o tema do Estado nação e do nacionalismo me fazia visitá-lo, quer em “Nações e Nacionalismo”, quer em seu livro com Trevor-Roper, “A Invenção da Tradição”. Neste caso também não me furtava às comparações com Gellner, Benedict Anderson, Charles Tilly, Anthony Smith. Cheguei a usar também alguns de seu ensaios em historiografia que saíram em “Sobre história”.

Maria Paula Araújo, também professora da UFRJ, revela uma memória bastante interessante, que remete a um jantar que ela e mais três amigas tiveram com o historiador inglês nos anos 1980, no Rio de Janeiro, na ocasião do lançamento de um de seus livros no Brasil:

- Eu tenho orgulho de dizer que tenho na minha estante quase todos os seus livros. E também tenho na memória uma noite em que eu, Helena Maria Gasparian, Adriana Benedikt e Vera Paiva, nós quatro iniciando o mestrado (acho que isso foi em 1983 ou 84) levamos Hobsbawm para jantar no Lamas (tradicional restaurante do Rio de Janeiro). Ele era um dos autores exclusivos da Editora Paz e Terra (do Fernando Gasparian, pai da Helena) e nos coube esta tarefa - levar Hobsbawm e a esposa para jantar. Na época nós achávamos que o Lamas era um restaurante quase sofisticado (estávamos acostumadas com o Jobi, o Diagonal e a Pizaria Guanabara). Foi uma noite inesquecível. Hobsbawm deu palpite nos nossos trabalhos, até no da Vera, que era sobre a "Lilith" (a primeira mulher de Adão, insubmissa e devassa, que foi banida do Paraíso e da Bíblia).

Maria Paula completou ainda dizendo que embora o encontro tenha se dado há quase 30 anos, não esquece da generalidade e a versatilidade de Hobsbawm, disposto a conhecer e a opinar sobre o trabalho daqueles quatro mestrandas brasileiras de vinte e poucos anos.

Já Zózimo Trabuco, professor de História do Brasil da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), contou ao Café que acredita ter começado a ler os textos de Hobsbawm como a maioria dos seus leitores: a partir das “Eras”. “O modo como relacionava as ideias e as práticas sociais às mudanças políticas e econômicas e a visão comparativa dessas relações em diferentes lugares dentro de uma mesma temporalidade sempre me fascinou”, diz o professor. Sobre a história feita de Hobsbawm, Trabuco diz também:

- Acho que Hobsbawm representou um modo de compreender a história e o papel do intelectual que se confundem com o conjunto de sua obra e os tempos históricos aos quais ele se dedicou a analisar: grandes sínteses, visão global ou cosmopolita das transformações do mundo, senso de responsabilidade política da pesquisa e da comunicação do conhecimento histórico, e apesar - ou em função - das opções políticas pessoais que fez ao longo da vida, um rigor teórico e metodológico que o fazia ter o compromisso ético de reavaliar ideologias e alternativas políticas que marcaram sua trajetória como intelectual público. Neste sentido, o "Breve Século XX" foi em Hobsbawm o longo século de um modo de fazer História, foi a "Era de Hobsbawm".

Mas não é só entre professores que Hobsbawm é referência. Entre estudantes de história também. João Teófilo, estudante do nono período do curso de história da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UEVA), na cidade de Sobral, disse que ficou muito triste quando soube da morte do historiador, por quem tinha grande admiração. Teófilo explicou que os textos de Hobsbawm estavam presentes nos cursos de sua faculdade e revelou porque gosta tanto dos textos do autor:

- Os escritos de Hobsbawm, embora de uma linguagem complexa, são de uma riqueza ímpar, uma vez que a maestria do historiador, de uma erudição invejável, mais que proporcionar um entendimento inteligente que nos ajuda a refletir sobre a relação do homem com o tempo-espaço, serve de exemplo para uma escrita exemplar da História. As leituras de Hobsbawm, a exemplo de “A Era do Extremos”, deixam claro que, não por acaso, ele é um dos maiores historiadores.

Discutindo Hobsbawm

E você, estudante, professor ou apenas interessado por história, também gosta da história produzida por Hobsbawm? O debate continua no nosso fórum sobre o tema, que pode ser acessado aqui. Neste espaço, estamos discutindo as maiores contribuições dadas por Hobsbawm à historiografia. Tem reservas ou críticas a obra do autor? Este também é o espaço. Acesse, compartilhe suas ideias e enriqueça o debate.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Hobsbawm: um dos maiores pensadores dos séculos XX e XXI

Associação Nacional de História (ANPUH) responde à crítica da Revista Veja sobre Hobsbawm. Em nota, entidade afirma que Veja teria reduzido historiador a um "idiota moral". A nota de repúdio foi publicada no perfil da entidade no último sábado. Confira, na íntegra, o texto da Associação Nacional de História, que teve como título, "Hobsbawm: Um dos maiores intelectuais do século XX".

"Na última segunda-feira, dia 1 de outubro, faleceu o historiador inglês Eric Hobsbawm. Intelectual marxista, foi responsável por vasta obra a respeito da formação do capitalismo, do nascimento da classe operária, das culturas do mundo contemporâneo, bem como das perspectivas para o pensamento de esquerda no século XXI. Hobsbawm, com uma obra dotada de rigor, criatividade e profundo conhecimento empírico dos temas que tratava, formou gerações de intelectuais. Ao lado de E. P. Thompson e Christopher Hill liderou a geração de historiadores marxistas ingleses que superaram o doutrinarismo e a ortodoxia dominantes quando do apogeu do stalinismo. Deu voz aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever. Que sequer imaginavam que, em suas greves, motins ou mesmo festas que organizavam, estavam a fazer História. Entendeu assim, o cotidiano e as estratégias de vida daqueles milhares que viveram as agruras do desenvolvimento capitalista. Mas Hobsbawm não foi apenas um “acadêmico”, no sentido de reduzir sua ação aos limites da sala de aula ou da pesquisa documental. Fiel à tradição do “intelectual” como divulgador de opiniões, desde Émile Zola, Hobsbawm defendeu teses, assinou manifestos e escolheu um lado. Empenhou-se desta forma por um mundo que considerava mais justo, mais democrático e mais humano. Claro está que, autor de obra tão diversa, nem sempre se concordará com suas afirmações, suas teses ou perspectivas de futuro. Esse é o desiderato de todo homem formulador de ideias. Como disse Hegel, a importância de um homem deve ser medida pela importância por ele adquirida no tempo em que viveu. E não há duvidas que, eivado de contradições, Hobsbawm é um dos homens mais importantes do século XX.

Eis que, no entanto, a Revista Veja reduz o historiador à condição de “idiota moral” (cf. o texto “A imperdoável cegueira ideológica da Hobsbawm”, publicado em www.veja.abril.com.br). Trata-se de um julgamento barato e despropositado a respeito de um dos maiores intelectuais do século XX. Veja desconsidera a contradição que é inerente aos homens. E se esquece do compromisso de Hobsbawm com a democracia, inclusive quando da queda dos regimes soviéticos, de sua preocupação com a paz e com o pluralismo. A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil) repudia veementemente o tratamento desrespeitoso, irresponsável e, sim, ideológico, deste cada vez mais desacreditado veículo de informação. O tratamento desrespeitoso é dado logo no início do texto “historiador esquerdista”, dito de forma pejorativa e completamente destituído de conteúdo. E é assim em toda a “análise” acerca do falecido historiador. Nós, historiadores, sabemos que os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos. Seguramente Hobsbawm será, inclusive, criticado por muitos de nós. E defendido por outros tantos. E ainda existirão aqueles que o verão como exemplo de um tempo dotado de ambiguidades, de certezas e dúvidas que se entrelaçam. Como historiador e como cidadão do mundo. Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada."





São Paulo, 05 de outubro de 2012

Diretoria da Associação Nacional de História

ANPUH-Brasil

Gestão 2011-2013

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Alemães acham bomba da 2ª Guerra e tiram 2,5 mil de casa em Munique




Bomba foi localizada em área em construção. Detonador continua ativo, segundo bombeiros.

A descoberta de uma bomba da Segunda Guerra Mundial, com peso de 250 kg, forçou a retirada na madrugada desta terça-feira (28) de 2.500 pessoas na cidade alemã de Munique até sua desativação. A bomba foi localizada durante uma construção no bairro de Schwabing, onde a polícia e os bombeiros retiraram todos os habitantes em um raio de 300 metros."A bomba poderia explodir a qualquer momento", disse um porta-voz dos bombeiros, antes de explicar que o detonador se encontra ativo apesar de a guerra ter terminado há quase 70 anos.



O porta-voz acrescentou que uma eventual detonação destruiria o edifício junto ao local da descoberta e danificaria consideravelmente outras construções próximas.

Os equipes antibombas cobriram parte do explosivo com palha e areia para reduzir os efeitos de uma possível detonação e tentarão desativá-lo ao longo do dia. Mais de 100 bombeiros e outras forças de resgate estão nas cercanias do local da descoberta, enquanto foram fechadas preventivamente uma estação do metrô e a Leopoldstrasse, uma das ruas mais movimentadas de Munique.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

ESCRAVIDÃO

Muitas foram as prisões, as ameaças e os atos de violência que Martin Luther King sofreu. E, embora ele pudesse ter tido a chance de desistir, preferiu permanecer lutando por sua causa. Certa vez, ao fazer uso da palavra numa reunião em Chicago, King assim discursou:




Permitam-me dizer que, se vocês estão cansados de protestos, eu estou cansado de protestar. Estou cansado da ameaça de morte. Quero viver. Não quero ser um mártir. E há momentos em que penso se vou conseguir escapar. Estou cansado de apanhar, cansado de receber golpes, cansado de ir para a cadeia. Mas o importante não é quanto eu estou cansado; a coisa mais importante é nos livrarmos da condição que nos leva a marchar. Senhores, vocês sabem que não temos muita coisa. Não temos dinheiro suficiente. Realmente não temos muito estudo e não temos pode político. Temos apenas nossos corpos, e vocês estão pedindo que abdiquemos da única coisa que possuímos quando dizem: Não marchem”.



Tal estratégia utilizada por King foi fantástica e teve um enorme efeito positivo para a luta dos negros norte-americanos pelos direitos civis. Pois, quando os ativistas, oferecendo a outra face, eram vistos por todo o mundo sendo vítimas da violência policial, sofrendo golpes de cassetetes, recebendo jatos de água e bombas de gás lacrimogênio, a nação dos Estados Unidos foi sendo tomada por um sentimento de indignação moral contra tais atrocidades, conforme relata Philip Yancey em seu livro “Alma Sobrevivente: Sou Cristão, Apesar da Igreja”, da editora Mundo Cristão:



Muitos historiadores apontam para um momento no qual o movimento no qual o movimento finalmente conquistou uma massa expressiva de apoio à causa dos direitos civis. Isto aconteceu numa ponte perto da cidade de Selma, Alabama, quando o xerife Jim Clark permitiu que seus homens, armados, avançassem sobre manifestantes negros desarmados. As tropas da cavalaria jogaram os animais a galope sobre a multidão dos manifestantes, açoitando as pessoas com seus cassetetes, rompendo cabeças e jogando pessoas no chão. Enquanto brancos gritavam em aprovação, as tropas jogaram bombas de gás lacrimogênio sobre a multidão em pânico. A maioria dos americanos teve a primeira visão dessa cena quando a rede de televisão ABC interrompeu seu filme de domingo, Julgamento em Nuremberg, para mostrar a cobertura do fato. O que os telespectadores viram sendo transmitido do Alabama guardava uma horrível semelhança com aquilo que estavam assistindo sobre a Alemanha nazista. Oito dias depois, o presidente Lyndon Johnson submeteu o projeto de Direito de Voto de 1965 ao Congresso americano.



Embora King tenha morrido assassinado em 4 de abril de 1968, a sua luta pelos direitos humanos alcançou grandes resultados. Na noite anterior à sua morte, ele proferiu as seguintes palavras:



Como qualquer pessoa, desejo uma vida longa. A longevidade tem seu lugar. Mas não estou preocupado com isto agora. Quero apenas fazer a vontade de Deus. E ele me permitiu que eu subisse ao monte. Olhei lá de cima e pude contemplar a Terra Prometida. Pode ser que eu não entre lá com você, mas quero que você saiba esta noite que, como povo, nós entraremos na Terra Prometida. É por isso que estou feliz esta noite. Não estou preocupado com nada. Não temo homem algum. Meus olhos viram a glória do Senhor que vem.



King baseou sua atuação não só em Gandhi, como também no Sermão da Montanha de Jesus Cristo que se encontra nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho segundo Mateus. E, como disse Jesus, se o grão de trigo que cai na terra não morrer, fica ele só, mas, se morre, produz muito fruto. E esta foi este o resultado obtido por King quando preferiu permanecer lutando com fé e sem fazer uso da violência, tornando-se uma semente de um futuro onde as desigualdades raciais não mais existam.



No ano de 1986, foi estabelecido um feriado nacional nos Estados Unidos em sua homenagem em que toda terceira segunda-feira de janeiro é comemorado o dia de Martin Luther King.

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